Miguel Furtado Martins

Edição do autor - Outubro 2020

Capa dura, 96 Pág.

Textos - Carlos Alberto Poiares, Maria Rosa Gonçalves-Ferreira, Fábio Brazza, Gabriel o Pensador e José Cid

Arranjo gráfico . Projecto Foco

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A vida num lar residencial sénior, mesmo em tempos ditos normais, está sujeita a múltiplos constrangimentos, que serão tanto maiores e diversificados, quanto maior for o número dos seus residentes, e mais avançada a sua idade. E no Lar da ASAS Associação para Serviços de Apoio Social, cuja vivência inspirou estas fotografias, residem 63 pessoas com uma média de idade que ronda os 90 anos. 

 

Quando os tempos normais são perturbados por um choque da envergadura do que nos está a afetar a todos, desde os primeiros meses deste ano – a doença resultante da mutação de um vírus já conhecido, agora tecnicamente designado por SARS-CoV-2 − quem já era vulnerável sofre mais e quem cuida tem de se exceder em dedicação e atenções. Para estes, é uma espécie de quatro em um: cuidar, como sempre, mas alterar rotinas, explicar as restrições, combater os efeitos destas na saúde física e espiritual de quem já estava em estado de necessidade, em consequência da idade e das patologias consequentes.

 

Estava decretado o “Estado de Emergência”, e a estupefação fez sentir, ao autor das fotografias aqui mostradas, a necessidade de ver, através da lente da sua câmara, quem era cuidado e quem cuidava, de os registar no cumprimento rigoroso das duras exigências estabelecidas, de lhes fixar, para sempre, comportamentos, gestos, solidão…E tão sentida foi essa necessidade que deu lugar ao entusiasmo e à participação, indireta ou objetiva, de todos os setores da casa.  

 

É sabido que a fotografia faz história. Cada imagem captada é um registo que fica a documentar a realidade que estava à frente da objetiva. Foi sempre assim, nos momentos mais tristes e mais alegres da humanidade, desde que a primeira chapa foi batida no longínquo ano de 1826. Estas fotografias em tempo de emergência, com que, em boa hora, o Miguel Furtado Martins registou os mais difíceis e dolorosos dias da vida do Lar da ASAS, que a COVID-19 veio perturbar de forma brusca e cruel, são um documento histórico. 

 

O livro, que reúne as fotografias que o autor selecionou, é uma obra de arte que, como tal, deve ser apreciada.

 

Filipe Pinhal

outubro de 2020